Tem dias que não é fácil

Todo mundo tem direito a ter dias ruins

(e eu não vou dizer que tá tudo bem, porque todo mundo tem direito a ter dias ruins de merda)

Hoje eu chorei. Era hora do almoço. Eu estava olhando o meu prato de arroz, feijão, um bife e dois pasteizinhos de vento. E chorando. O motivo do choro é porque eu vi algumas modelos na fila do quilo do restaurante do prédio aonde eu trabalho. Todas novas, todas altas, todas magras, todas com o mesmo corte de cabelo e a maioria com californianas no cabelo. Confesso que parte do meu sumiço é porque eu estava passando por uma semana bem difícil na minha aceitação.

Todo mundo tem direito a ter dias ruins

O outro gatilho tinha sido a balança. O sindicato estava com uma equipe para fazer algumas atividades na minha agência. Massagem, avaliação postural e um exame que media o quanto pesava cada lado do seu corpo. Todo mundo se pesando e mostrando a avaliação para mostrar o quão equilibrado ou “torto” estavam. E eu só pensando que se eu me pesasse eu saberia o quanto mais pesada eu estaria em comparação com o peso que eu acho que eu tenho na minha cabeça. E quanto aquilo iria me frustrar e me derrubar. Eu nem me pesei e já estava na merda por causa de um número imaginário.

Gatilhos.

Esse texto pode ser um gatilho. Ele pode ser uma lembrança que o caminho da aceitação tem os seus dias ruins. E eu tento pensar positivo. Procuro ver mulheres gordas que eu acho lindas para ver se entra de vez na minha cabeça que não são só as modelos que eu vi no almoço a única beleza possível. E racionalmente eu sei. Enxergar beleza nas outras pessoas é muito fácil. Mas encarar o espelho não. Enxergar no reflexo os anos de bullying e a gordofobia introjetada na gente é doloroso, ainda mais doloroso porque a gente sabe que é errado.

Tá errado. E eu vou fazer o quê para mudar?

Eu tento fazer uma mudança no cabelo, raspar a lateral, pintar as raízes, mudar o corte, conversar com pessoas que me fazem bem (holla, Isabelle, estoy hablando de ti <3). A gente pode ficar tristinha, a gente pode ficar na merda, mas a gente não pode parar de cuidar da gente.

Desculpa a bad vibe e não desistam de mim.

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2 Comentários

    1. Exatamente! Precisamos entender que tudo bem se sentir mal, e aceitar isso, pra ter mais tranquilidade na hora de se levantar de novo e voltar a luta.
      Beijos!!

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