Aqui em São Paulo, ou em Tokyo, ninguém liga para o que você acha

Existe essa anedota nas internets que todo paulistano parece exibir com orgulho , e que eu acho que resume bem o que é São Paulo.


Ela é bem paulista porque é genuinamente verdadeira, mesmo se não tiver acontecido de verdade. Mas também por que é contada de um jeito grosso e prepotente que só quem cresceu em São Paulo consegue verbalizar sem se sentir uma pessoa horrível. ( E nem vem, porque eu como paulistana posso e vou dizer isso sobre a minha cidade sim!) Mas a parte que eu gosto disso tudo é a verdade de uma cidade em que sim, ninguém liga para o que você acha! E isso não é algo necessariamente ruim pelo menos quando estamos falando de convivência pública.

Quando eu decidi ir pro Japão eu já sabia que seria uma experiência única não apenas por toda a riqueza cultural e diferenças gritantes com nosso estilo de vida, mas por finalmente estar indo para uma cidade maior, mais populosa e mais complexa que a minha. Nascendo em São Paulo, vivendo aqui como uma pessoa que primordialmente usa transporte público e que já estudou do centro ao extremo da zona sul, a impressão que eu tinha até então de qualquer cidade que eu fosse é que elas eram “fáceis”. Nunca fácil de viver, porque como turista tenho consciência de que jamais cheguei nem perto de entender ou vivenciar as dificuldade e complexidades de cada lugar. Mas fácil de visualizar, de circular. Com a língua e o alfabeto diferentes, eu estava pronta para uma Tokyo que seria maior, mais cheia, barulhenta e caótica do que estava acostumada.

Mas a complexidade que nós tentamos organizar no grito, eles organizam com silêncio e respeito. A cultura que aceita extravagâncias como o dia a dia de determinados locais sem julgamento, é a mesma que cria transportes públicos lotados, porém silenciosos e calmos. Porque Japão, assim como em São Paulo, ninguém liga para o que você acha. Não por não nos preocupamos com as pessoas, mas por sabemos que a convivência em lugares compartilhados deve priorizar o bem estar coletivo, e não opiniões pessoais. A discussão sobre como eles conseguem fazer disso um contrato não dito e respeitoso e nós transformamos quase sempre em arrogância ou stress é maior e envolve razões históricas e sociais que vão além de um simples texto num blog. Mas a partir deste domingo, falarei do Japão tendo em mente esse lugar que é tão distante e diferente, mas me pareceu tão próximo e familiar!

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