Imagem (não) é tudo, ou é?

Já parou para pensar em como a hipermodernidade vive de imagens? Mas se imagem não é tudo e se devemos nos interessar por como as pessoas são por dentro, como pensam ou agem, por que é mesmo que vivemos em uma sociedade dominada pelo excesso do consumo e por uma quantidade doentia de imagens. Imagem não é tudo, ou é?

Vivemos de aparências, gastamos uma enorme parte do tempo tirando fotos para o Instragam ou produzindo fotos que serão tiradas.

Instagram esse que dominou a vida das pessoas e criou uma dinâmica muito louca, onde o comercial e o pessoal se misturam, onde as pessoas se perdem por não identificar o que é propaganda e o que é real.

As pessoas vivem hoje para ter o tênis ou a roupa ou a vida, ou a idéia da vida daquela pessoa.

É uma fabrica de desejos, uma multiplicação de estilos, de tendências e espetáculos que comercializou a arte e a vida, misturando tudo, criando uma era hiper: hipermoderna, hiperarte, hipercultura comercial.

A arte parece ter englobado todas as esferas da vida, servindo de estratégia de marketing para vender e obter mais lucros: nunca foi tão importante investir na parte estética: hoje, até para produzir uma tampinha de garrafa é preciso pensar nas questões estéticas dela.

Super Size Me

Embora todos tenham tudo, desejos e necessidades são criados em massa. Tudo agora é supersized: dos orçamentos dos filmes da indústria cinematográfica, desfiles, até o cachorro quente da esquina está levando o raio gourmetizador e virando hot dog gourmet e o jardineiro que virou paisagista não escaparam da estetização do mundo.

Não tem como fugir dos mega espetáculos do capitalismo artista, e mesmo que isso não seja necessariamente bom ou ruim, a pergunta que fica é:  como fazer parte do espetáculo?

Consumindo.

Somos uma sociedade de consumo.

Hiperconsumista talvez.

Você é o que você tem?

Estamos na era da imagem, e esse capitalismo artista que tomou conta do mundo nas últimas décadas se apropriou da arte como instrumento de legitimação de suas marcas e empresas.

As pessoas estão “drogadas de consumo”, expressão de Lipovetsky que eu adotei para o meu vocabulário. Somos consumidores que buscam ansiosamente e incessantemente experiências. Consumimos experiências, buscamos uma vida bela, intensa, rica em sensações, prazeres e espetáculo, e esquecemos que existe uma vida além do consumo.

A vida em nossa sociedade (estética) não está nem perto das imagens felizes e belas que vemos no Instagram.

A beleza não salvará o mundo.

As produções estéticas podem até estar proliferando, mas é uma ilusão acreditar que a beleza salvará o mundo. Essa sociedade transestética em que vivemos esqueceu de valores básicos comuns à uma vida pacifica em sociedade.

Eu e eu mesmo.

As pessoas passam tanto tempo escolhendo coisas, afinando seus gostos pessoais, e essa superestetização gera uma diversificação desses gostos, que vão se individualizando, tornando as pessoas mais exigentes e mais críticas como consumidores. O que isso causa? Uma sensação de enfeamento do mundo.

Vivemos em uma sociedade regida pelo fútil e pelo supérfluo que não conseguiu se livrar do espetáculo da nova pobreza, da vulgaridade e do desrespeito ao meio ambiente.

Mais de tudo

Acima de tudo, vivemos em uma sociedade dominada pelo hiperconsumo: tudo gira em torno do consumo. As pessoas não conseguem mais ser livres, estão presas a correntes imaginárias que as impedem de evoluir como seres humanos.

O consumo invadiu todas as esferas das nossas vidas e levou consigo a arte, redesenhando diariamente nossas vidas de maneira superficial e nos levando a desejar cada vez mais coisas inúteis para preencher nossas vidas vazias.

Não deixe o consumo te matar.

Esse modelo de existência em que vivemos, completamente orientado para o consumo está longe de ser sinônimo de vida bela. A vida hiperconsumista que vivemos merece tantas críticas… as pessoas precisam conseguir se opor à estética do acelerado.

Precisamos viver mais perto de quem somos, dar mais valor para o nosso tempo, diminuir a poluição visual, a mediocridade e a vulgaridade causada por essa estetização generalizada do mundo. Esse capitalismo de sedução focado nos prazeres não é sustentável. É preciso diminuir a velocidade de consumo, viver a vida de uma maneira mais SLOW.

Take it easy…

O planeta não aguenta esse hiperconsumo, as mudanças climáticas já fazem parte da nossa realidade e teremos que lidar cada vez mais com as catástrofes e desastres decorrentes da nossa ocupação inconsequente e irresponsável do planeta.

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1 comentário

  1. Excelente o seu texto: bem estruturado, fundamentado e atual.Sou de uma geração anterior à “coisificação” do ser humano. Mesmo assim as nossas questões essenciais são as mesmas, prá mim muito bem ilustradas no cartaz ” i sentido da vida é dar sentido a vida”. As pessoas não se dão conta de que ao pagar R$ 300 reais por uma roupa, o custo real é outro. O preço da roupa é R$300 reais, mas para termos esse dinheiro o custo é outro. O custo é o tempo que investimos para “ganhar dindim”, muitas vezes em um trabalho que não gostamos – tempo esse que poderia ser usado para curtir a família e os amigos, ler um livro, estudar, cantar, namorar..ou simplesmente não fazer nada! O neoescravagismo depende da negação das necessidades reais e submissão ao capital.Será uma mera coincidência que o “mal do século” são as doenças psicosomáticas, síndrome do pânico, ansiedade, depressão, etc?

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