A responsabilidade é sua

Estamos sempre reclamando…

Sobre a Indústria da Moda ser muito poluente, ou sobre as condições de trabalho que os funcionários são submetidos aqui no Brasil em países do sul asiático onde as grandes marcas fast fashion costumam produzir… mas qual o papel do consumidor responsável?

Reclamamos das condições de trabalho, mas não questionamos a lógica do preço baixo demais.

Questionar é preciso

No Brasil, inclusive, eu diria que a lógica é ainda pior: você paga caro por coisas produzidas a custo baixo e em condições que desconhecemos.

Zara, Bobô, Le Lis Blanc, Animale e Amissima são exemplos de marcas de moda envolvidas com trabalho escravo no Brasil. Os dados são do Reporter Brasil e do app Moda Livre (disponível para download para IOS e ANDROID).

Falamos sobre a Industria da Moda como se não fizéssemos parte dela. Engano nosso.

Se você compra em uma determinada marca, precisa começar a se perguntar de onde as suas roupas vieram.

Qual o caminho percorrido por aquela peça? Quais os processos aos quais a peça foi submetida (tingimento, branqueamento, processamentos, etc)?

Se perguntar sobre os materiais que formam a peça também é importante: tem fibra que solta plásticos e outras substancias, muitas vezes toxicas, durante uma simples lavagem em casa.

Temos que saber o máximo de informações possíveis sobre as peças.

Precisamos entender todo o caminho.

Precisamos entender como a peça é fabricada, a quais processos ela é submetida. Onde ela é produzida? Como são as condições de trabalho das pessoas envolvidas na produção daquela peça específica?

Traceability

Precisamos conseguir mapear todas os processos de todas as etapas que envolvem a produção da peça.

Precisamos conhecer a matéria-prima que dá origem a fibra, precisamos conhecer o processo de tingimento, os processos de branqueamento, pra tentar mapear os produtos tóxicos e bani-los da indústria.

Para isso, precisamos de transparência em toda a cadeia produtiva.

Precisamos conhecer as condições de trabalho das funcionárias que materializam nossas roupas para poder cobrar melhorias.

As empresas precisam lucrar, isso é obvio, mas dá para lucrar sem destruir o planeta.

As marcas precisam melhorar seu desempenho, precisam investir em opções mais sustentáveis quanto ao uso de energia e água. É preciso se conscientizar do impacto que cada um causa no planeta, para poder então fazer alguma maneira de compensação.

É impossível produzir sem causar impacto nenhum.

Por mais ZERO WASTE que se procure ser, existe um gasto de energia,emissão de carbono, água, enfim: a energia utilizada para transformar um material x em um produto y.

Precisamos controlar o nosso impacto.

Ele, por sua vez, só pode ser controlado se controlarmos, ou pelo menos tentarmos controlar o impacto das marcas que consumimos.

Eu entendo que o consumidor tenha limitações financeiras, e sei que a vida do brasileiro não tá fácil, não sobra muito mesmo e muitas vezes não dá pra comprar o que gostaríamos… mas precisamos aprender a pensar a longo prazo.

A barreira a ser quebrada é a mudança na forma de ver a peça, tem que pensar no processo como um todo.

Temos o poder de escolher de quem comprar.

E eu acredito muito na história de comprar local, do produtor do bairro, da artista pequena…

O instagram por exemplo está cheio de artistas incríveis, de pequenas marcas, de estilistas novas que usam o espaço para expor suas peças.

O local ficou um pouco relativo

Mas você ainda pode escolher quem irá receber seu dinheiro: Zara vs Pessoa que fez uma peça com amor.

Quando escolhemos comprar de pessoas específicas, reais, que existem, fazemos a economia girar de maneira mais saudável.

Além do que, normalmente pequenos estilistas costumam conhecer sua matéria-prima, os processos são mais artesanais, e por isso, o mapeamento de toda a cadeia fica mais fácil.

Eu evito comprar de grandes marcas que pagam mal seus funcionários, ao invés disso, prefiro comprar de mulheres que, assim como eu, tem suas marcas que seguem na luta diária pela sobrevivência.

Escolha dar o seu dinheiro para pessoas reais.

Para o mini mercado ao invés do mercado gigantesco, escolher comprar da lojinha do bairro (ou da lojinha do Instagram), encomendar o bolo da moça da rua, encontrar uma costureira incrível que consiga traduzir em peças o seu gosto, comprar os legumes do produtor ou de cooperativas que paguem o produtor de maneira justa, dar preferência para as plantinhas da floricultura do bairro… precisamos comprar de maneira mais consciente.

É hora de começar a escolher com consciência para quem você dará o seu dinheiro. Se não cobrarmos das marcas mais transparência e mais consciência, pois somos nós quem financiamos a Industria.

Vamos fazer a nossa parte?

images_fashion revolution brasil, google, pinterest, modefica

Facebook Comments

Veja também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *