Oi, eu sou Bi.

minha história de Bissexualidade

Geralmente quando alguém fica sabendo desse detalhe da minha bissexualidade dá um nó na cabeça da pessoa.

– Mas como assim Bi?  Você não é casada? E não é com um cara?

Sim, eu tenho um relacionamento monogâmico e heterossexual (e feliz, obrigada por perguntar). Mas isso não significa que sentir atração por ambos os sexos tenha sido “uma fase”. Não significa que hoje eu sou bem resolvida com meu homem e pronto.

Também não significa que eu estou “Confusa sobre a minha sexualidade” mesmo estando casada. Na verdade eu tenho muita certeza de que eu vejo coisas atraentes em homens tanto quanto em mulheres.

 

Como eu descobri minha bissexualidade

Eu acho que percebi que não era hétero quando tinha uns 13 anos. É quando eu me lembro de ter tido meu primeiro crush numa garota.

Ela era linda (continua linda aliás) mas acima de tudo ela era gentil, carinhosa, inteligente, engraçada, E ela me fazia me sentir extremamente culpada por sentir por ela a mesma coisa que por garotos, que supostamente era por quem eu deveria ter qualquer tipo de quedinha.

Agora, imagina o que se passa na cabeça de uma adolescente de 13 anos que ainda nem sabe direito o que é sexualidade quando ela percebe que não é que nem todas as amiguinhas. Imagina ser rodeada de meninas que só falam de garotos. Imagina perceber que você não é como elas.

Óbvio que eu guardei isso para mim por muito tempo, sem nem tentar entender. Eu simplesmente ignorei essa parte – até o dia que não dava mais para ignorar.

Como 15 anos eu já tinha amigos um pouco mais cabeça aberta.-Foi quando eu conheci o primeiro amigo gay que eu teria na vida. Ele além de aguentar sapo da minha mãe junto comigo e ganhar o lugarzinho no meu coração pra a vida toda, me inspirou e me deu toda a confiança do mundo para começar a abrir os olhos. Me ajudou a ver essa parte de mim – por mais que ele nem tenha sabido disso.

Eu comecei a perceber que eu não precisava abafar o fato de que achava meninas bonitas e que sentia atração por elas.

A primeira ‘namorada’como descobri minha bissexualidade

Mas foi só com 17 anos que eu tomei coragem para realmente fazer algo a respeito. Foi a primeira “namorada” que eu tive. Bom, não foi realmente um namoro, mas foi o primeiro relacionamento com uma mulher que eu tive.

Ela estudava comigo. Fazíamos cursinho juntas, nos víamos todos os dias. E todo mundo pensava que eramos muito amigas e só isso. Apesar de ter durado muito pouco e de ter acabado porque ela “não tinha coragem de assumir algo assim”, foi uma experiência que me ensinou muito. Foi a primeira mulher que eu beijei na vida. Foi a primeira mulher com quem eu me envolvi romanticamente e foi meu primeiro pé na bunda por preconceito.

Mas apesar de ser muito iluminador (CARAMBA! Eu gosto de mulheres!!) também abriu um novo nível de confusão na minha cabecinha adolescente.

  – Pera, se eu gosto de mulheres então eu sou lésbica. Mas lésbicas não gostam de homens e eu gosto de homens, então eu sou hétero? Caraca, que bicho sou eu?!

Eu passei muito tempo me definindo como “curiosa” exatamente porque eu não sabia bem explicar o que eu sentia. E quando eu comecei a namorar com o meu marido a necessidade de entender isso tudo passou.

– Agora eu sou hétero então, já que eu to namorando com um homem. Né

Só que atração e sexualidade são coisas que continuam com você sempre. E para conseguir entender melhor é preciso se conhecer, se explorar e se permitir sentir. Acho que essa talvez tenha sido a parte mais difícil: me permitir sentir essa atração sem ter vergonha.

Ser bi não é uma fase, nem é estar ‘confuso’

Depois de muito debate interno e muitas duvidas, eu percebi que sempre vou sentir atração tanto por homens quanto por mulheres – e tá tudo bem isso. Eu não preciso mais me sentir um bicho estranho que não sabe o que quer. Eu sei exatamente o que eu quero, o que eu gosto, o que me atrai. Isso não quer dizer que eu tenha que limitar a um genero toda a minha energia e atração. 

E caso você esteja ai se perguntando sobre meu marido: Ele sabe que eu sou bi. Nós sempre conversamos muito abertamente sobre isso aliás. Acho que só ajuda a deixar o relacionamento mais saudável ainda.

Ele também sabe que eu ser bissexual não significa que eu vou sair por ai traindo ele com toda e qualquer mulher que me atrair – assim como eu sei que ele não vai fazer o mesmo. Mas isso é sobre confiança, dialogo e limites de cada relacionamento – e é um tópico que dá outro post, só sobre ele.

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4 Comentários

  1. EU PRECISO COMPARTILHAR ESSE POST COM O MUNDO!

    Estava conversando esses dias com uma amiga Bi, porque mesmo ela se assumindo Bi, de tanto que falam ela as vezes fica na duvida… se esta saindo com rapazes ela pensa "será que sou hétero?" mas quando sai muito com garotas: "ta, acho que sou lésbica", mas na real ela era Bi e as pessoas ao redor não entendem que é isso o que acontece e que ela não vai trocar a pessoa que esta junto dela por outra, só por conta disso.

    Enfim, várias questões pesadas e fico muito feliz de ler um post desses, de alguém tão resolvida compartilhando conosco essas confusões de adolescencia que deveriam ser algo "ok" porque é algo "ok".

    Abraços de luz
    http://www.blogdella.com

  2. EXATAMENTE! Cara, falou tudo! E o mais impressionante é que isso acontece muito dentro da própria comunidade LGBT (já rolou demais comigo até eu resolver deixar de me importar) – se você é Bi e tá em um relacionamento com um homem, eles nem te consideram LGBT.

    Essa confusão é unica e exclusivamente causada pela sociedade que insiste em marretar na nossa cabeça que não pode gostar dos dois, que você precisa se decidir e sempre tem que ter uma preferência. Mas na real, nosso coração consegue amar a pessoa independente do gênero. Simples assim.
    BEIJO!!!

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